terça-feira, 22 de julho de 2008

"Paint the sky with stars" | Enya




Suddenly before my eyes
Hues of indigo arise
With them how my spirit sighs
Paint the sky with stars

Only night will ever know
Why the heavens never show
All the dreams there are to know
Paint the sky with stars

Who has paced the midnight sky?
So a spirit has to fly
As the heavens seem so far
Now who will paint the midnight star?

Night has brought to those who sleep
Only dreams they cannot keep
I have legends in the deep
Paint the sky with stars

Who has paced the midnight sky?
So a spirit has to fly
As the heavens seem so far
Now who will paint the midnight star?

Place a name upon the night
One to set your heart alight
And to make the darkness bright
Paint the sky with stars.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

(τ) Tau Ceti

Este artigo é sobre a estrela τ Ceti, ou seja a estrela Tau (letra grega) da constelação de Cetus (Baleia). Tau Ceti não possui um nome próprio, mas sim, um nome que resulta da catalogação de estrelas. A estrela é particularmente interessante porque, para além de se encontrar no nosso quintal galáctico (está a 11,9 anos-luz do Sistema Solar, tornando-a uma das estrelas mais próximas de nós), é uma estrela com propriedades e características muito semelhantes às do Sol.

Apesar de ser parecida com o Sol, Tau Ceti, é uma estrela com baixo índice de metalicidade, o que significa que terá menos probabilidades de desenvolver planetas rochosos, como a Terra. Além disto, o sistema de Tau Ceti possui um disco de poeiras que diminui as probabilidades de vida neste sistema - devido aos frequentes impactos contra possíveis planetas.



Constelação da Baleia com a estrela Tau Ceti assinalada. (Fonte: Autoria do Blog)


Contudo, Tau Ceti é uma estrela muito mais 'sossegada' do que o nosso Sol. A estrela não apresenta a mesma quantidade/tipo de actividade solar. Apesar de apresentar estas diferenças, as semelhanças nas diferenças aproximam as duas estrelas.

Para já, e ao contrário, de algumas estrelas em torno das quais foram descobertos planetas do tipo de Júpiter mas em órbitas mais próximas da sua estrela* do que a de Mercúrio ao Sol, Tau Ceti não apresenta nenhum planeta desta categoria. Isto constituí uma maior probabilidade de que a estrela possua um sistema solar um pouco mais parecido com o nosso.

A estrela tem apenas entre 70 a 80% do diâmetro do Sol e uma luminosidade de apenas 55 % da do Sol, ainda assim apresenta um tipo espectral semelhante ao do Sol, G8 (o que lhe confere uma coloração similar à do Sol). O facto de a estrela possuir uma atmosfera mais calma do que a solar aumenta as probabilidades de vida num hipotético planeta em torno da mesma. Para que um eventual planeta com as características da Terra existir em torno de Tau Ceti, tinha que estar a uma distância de 0,7 UA** da sua estrela, i.e. tinha que estar à mesma distância de Vénus do Sol. Se pudéssemos transportar o planeta Vénus para este 'sistema planetário', o planeta teria fortes possibilidades de ter seguido, na sua evolução, um caminho similar ao da Terra. O facto do planeta ter que se encontrar mais perto para poder deve-se, entre coisas, à diminuição da luminosidade de Tau Ceti em comparação com o Sol.

O Sol (à esquerda) apresenta muito mais actividade do que Tau Ceti (à direita), contudo este último é um bom candidato para os programas de pesquisa de vida fora do nosso Sistema Solar. (Fonte: NASA)

Até este momento, não foram detectados planetas em torno de tau Ceti, o que é positivo: pode constituir-se, assim, um sinal de que os planetas têm dimensões aos nossos companheiros rochosos do Sistema Solar (e que, por isso mesmo, ainda não existem telescópios espaciais com resolução suficiente para os detectar). Por outro lado, há um preço a pagar se não existirem gigantes de gás num sistema deste género, pois este tipo de planeta 'desvia' asteróides mortíferos na sua direcção, ajudando a 'limpar' o espaço interplanetário salvando os planetas rochosos internos. Segundo os estudos apresentados, existe um disco de asteróides e de cometas (cerca de 10 vezes maior que o nosso) em torno da estrela o que poderá significar a inexistência de gigantes de gás em torno da mesma, com previsíveis consequências para a sorte dos possíveis planetas terrestres lá existentes.

Contudo, este disco de asteróides e de cometas encontra-se a cerca de 10-50 UA (o do nosso Sol estende-se desde os 35-50 UA). Portanto, o big deal será com o seu bordo interno, o qual poderá ser explicado pela ausência de planetas que ajudassem a limpar os 'detritos planetários' nessa área. Mas 10 UA é uma distância confortável dos 0,7 UA a que se pode encontrar a nossa nova terra. E ninguém nos garante que não exista um gigante de gás mais pequeno a filtrar os asteróides e cometas (por ser exactamente mais pequeno é que também é mais difícil de detectar do que um grande, como Júpiter). O futuro parece ser risonho para nós.

Apesar dos relativos 'nãos' eles não passam mesmo disso, de relativos. Só, à medida que a tecnologia evolui é que poderemos conhecer melhor os mistérios desta estrela com potencial para nós Humanos e já aqui tão perto, a apenas 11,9 anos-luz de casa.



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* Hot Jupiter

** UA » Unidade Astronómica, é idêntica à distância entre a Terra e o Sol. É basicamente utilizada para medir distâncias entre astros num sistema solar. Representa, sensivelmente, 149 600 000 Km.

sábado, 19 de julho de 2008

Os mistérios de Omega Centauri

O maior e mais brilhante enxame estelar globular da nossa galáxia relevou a presença de um buraco negro de dimensões médias no seu centro.
Um enxame globular é um conjunto de milhares de estrelas que localiza fora do plano galáctico, mais propriamente, no halo da galáxia. Este enxame globular tem três particularidades que o distinguem da maioria dos outros enxames globulares que circundam o plano galáctico: (1) possuí 10 vezes mais massa do que os restantes enxames; (2) tem mais diversidade de gerações de estrelas do que a maioria dos enxames globulares e (3) roda em torno do seu eixo mais rapidamente do que qualquer enxame globular típico.
Perante estas condições, tão peculiares, não é de estranhar que se considere que este enxame é, na realidade, o que resta de uma galáxia antiga que há muito colidiu com a Via Láctea. Esta galáxia viu-se desprovida de grande parte das suas estrelas devido a forças de maré criadas no momento da colisão, i.e. a grande maioria das suas estrelas passou a integrar o corpo principal da nossa galáxia. Assim sendo, Omega Centauri é o núcleo que resta da colisão intergaláctica e que agora ocupa, nos domínios dos enxames um lugar notável e de destaque.
O buraco negro não é visível, mas é comprovado pelas leis da Física que admite que a velocidade de rotação das estrelas do enxame, só é possível através da presença de um corpo central e maciço. Tal entidade que corresponde as essas características é um Buraco Negro (devido à massa insuficiente das estrelas centrais para gerar uma rotação tão rápida de todo o enxame). Este buraco negro possui uma massa equivalente à de 40 000 sóis.
Este é o segundo buraco negro de tamanho 'médio' encontrado, o que constitui uma prova de que os buracos negros possuem diferentes tamanhos e massas. O outro buraco negro "mediano" foi encontrado, curiosamente, no centro de um enxame globular, desta vez, na vizinha galáxia de Andrómeda.
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Enxame globular de Omega Centauri. O enxame é tão brilhante que é visível a olho nú, a prova disso é mesmo o seu nome: o enxame foi catalogado pelos antigos como sendo uma estrela. (Fonte: NASA)

sexta-feira, 18 de julho de 2008

A civilização Humana

Uma vez que ontem descemos até à Terra, achei por bem trazer aqui uma mostra da arquitectura da civilização Humana que habita o terceiro astro maior a contar do Sol.

Os Homens sempre procuraram mostrar os seus edifícios como sendo uma imagem do seu poder. E tal como na corrida espacial, a construção dos mega-arranha-céus modernos não é uma representação de cultura, interesse científico ou mesmo de investimento económico. A construção destas estruturas é sinónimo de poder, tal como eram para os antepassados dos Homens ditos modernos os menires, as pirâmides, as catedrais ou os templos orientais.

Ficam aqui alguns exemplos:

Burj Dubai no Dubai, Emirados Árabes Unidos (Fonte: Wikimedia)

Chicago Spire, Estados Unidos da América. (Fonte: Wikimedia)

Panorama de Hong Kong. (Fonte: Wikimedia)

Taipei 101, na cidade de Taipé, Taiwan ou República da China. (Fonte: Wikimedia)


CCTV (Televisão estadual chinesa) em Pequim, República Popular da China. (Fonte: Wikimedia)

Bairro de La Défense em Paris, França, União Europeia. (Fonte: Wikimedia)



Manhattan, Nova Iorque, Estados Unidos da América. (Fonte: Wikimedia)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Observatório Astronómico de Fronteira

O observatório astrónomico de Fronteira (Alto Alentejo) foi inaugurado na sexta-feira passada pelo Sr. Presidente da República Professor Aníbal Cavaco Silva e representa um investimento avançado em Astronomia no nosso país.



Observatório Astronómico de Fronteira. (Fonte: Astrosurf)

O observatório encontra-se equipado com um planetário, uma área de arqueologia, biofísica, geologia e outra dedicada às energias renováveis. O espaço contém também um jardim dedicado à Astronomia, uma biblioteca, uma sala para pernoitar e uma sala de leitura. Mas a pérola vai mesmo para a cúpula do observatório.

As universidades envolvidas neste projecto são a Universidade do Porto, a Nova de Lisboa e a de Évora. O observatório teve um investimento de 2,5 milhões de Euros e é o observatório com maior qualidade de todo o país.

Agora mesmo... só falta dar um pulinho até Ribeira Grande, no concelho de Fronteira.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Água em Marte

A sonda espacial MRO, da NASA (acrónimo de Mars' Reconnaissance Orbiter) analisou a composição química de algumas rochas na superfície marciana. A conclusão veio apoiar e dar mais ênfase às descobertas feitas pela sua parceira em órbita marciana, a Mars Express, da Agência Espacial Europeia. As sondas investigavam a concentração de um tipo de rochas, os filossilicatos que funcionam como prova da existência de água no estado líquido à superfície.

A descoberta centrou-se no hemisfério meridional do planeta e vem reforçar a teoria de que Marte já foi mais quente no passado e que tinha (entre outras) condições essenciais para o desenvolvimento de vida bacteriana. A existência de água no estado líquido, em abundância, e à superfície planetária, remonta ao período entre há 4,6 e 3,8 biliões de anos. Contudo, existem outros períodos cruciais na História da água em Marte, como a formação de vários canais resultantes de cheias diluvianas à cerca de 2,8 biliões de anos.

Possível imagem de Marte com oceanos e com vida vegetal, se as condições que existiram tivessem sido outras. (Fonte: NASA)

Pensa-se que este tipo de rochas também exista no hemisfério setentrional, ajudando a teoria de um grande oceano de água nesse hemisfério. Aliás, a geologia e a cartografia admitem a ideia de água abundante em Marte (em passado longínquo ou mais recente) através do estudo de fenómenos actuais como avalanches em crateras (provocadas por fluídos em movimento), e através do estudo de formações geográficas, características da passagem de água como o delta de um rio ou uma linha de costa.

Possível delta de um rio marciano à beira da cratera Jezero. Podem-se visualizar formações relacionadas com a deposição de sedimentos no delta do rio, exactamente como acontece nos rios terrestres. Cores alteradas para estudar a diferente composição química das rochas na cratera. (Fonte: NASA)

terça-feira, 15 de julho de 2008

MESSENGER to Mercury

Superfície do planeta Mercúrio tirada pelos instrumentos a bordo da sonda MESSENGER. (Fonte: NASA)


A missão MESSENGER, ao contrário do programa que utilizamos frequentemente no pc, é uma sonda espacial da NASA, que foi enviada para o planeta Mercúrio. O seu acrónimo resulta dos principais objectivos da missão: MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry and Ranging. A sonda foi lançada do Cape Canaveral por um Boeing Delta II e realizou uma primeira passagem (flyby) sobre o planeta, a 14 de Janeiro deste ano. A próxima passagem será em Outubro e a sonda entrará em órbita definitiva em Setembro de 2009. Neste flyby viajou a cerca de 200 km da superfície do planeta.
Os resultados deste primeiro flybly sobre a superfície de Mercúrio deixaram os cientistas estupefactos: (i) descobriu-se água na exosfera do planeta; (ii) existência de vulcanismo no passado (revelado pela existência de enormes planícies de lava solidificada) e (iii) comprovou-se a existência de um núcleo no estado líquido, prova de que o planeta ainda guarda algum calor residual, ainda resultante dos tempos da formação do sistema solar.


A superfície de Mercúrio nunca antes observada foi revelada pela sonda MESSENGER. Apesar de mostrar parecenças com a Lua o planeta Mercúrio apresenta muitas diferenças mesmo com os restantes planetas terrestres. Uma delas é a existência de uma magnetosfera e de um núcleo de grandes dimensões. Os núcleos dos outros planetas encontram-se correlacionados similarmente com a restante estrutura.
(Fonte: NASA)


A missão tem como principais objectivos a cartografia do planeta, o estudo da magnetosfera e da exosfera bem como a natureza da sua história geológica. Um dos aspectos que mais intriga os cientistas é a existência de um grande núcleo no interior do planeta, cujas dimensões são proporcionalmente exageradas em relação ao resto da sua estrutura. A presença de magnetismo comparável com o terrestre é também motivo de estudo - Mercúrio é único planeta terrestre (além da Terra) que possui uma magnetosfera que desvia o vento solar da superfície do planeta. A sonda também encontra-se equipada para estudar a composição química da superfície de Mercúrio.

A missão terá a duração de um ano. A sonda, antes de orbitar o planeta Mercúrio, necessita de se posicionar. A primeira coisa a ter em conta é a imensa gravidade do Sol e a quantidade de energia dispendida com o trajecto da sonda desde a Terra. Para diminuir a quantidade de energia necessária para a sonda recorreu-se a um sistema de 'catapultas'. Passo a explicar: utilizando a gravidade de um planeta próximo é possível acelerar uma sonda - ou qualquer outro objecto - sem custos de energia. Os astrónomos definem este conceito de impulso gravitacional e é muito utilizado nas sondas que exploram o Sistema Solar. O outro problema reside também na poupança de energia, mas por outra característica: qualquer objecto que se aproxime do Sol sofre uma aceleração da velocidade, exactamente devido à sua gravidade imensa. Como a energia necessária para realizar um 'travão' seria muito elevada - os cientistas recorreram a este sistema de passagens de forma a que a sonda não viage 'directamente', mas sim indirectamente até Mercúrio. O resultado é uma poupança de energia compensada com o impulso gravitacional que torna viável o conceito. Vejamos a próxima imagem.



Trajectória da sonda MESSENGER com as suas passagens pelos planetas Terra, Vénus e Mercúrio, respectivamente. Desde o lançamento da sonda até esta entrar em órbita do planeta Mercúrio decorrerão cerca de 5 anos. (Fonte: NASA)


Todo este sistema é ainda mais complexo porque esta 'assistência de gravidade' cedida pelos três planetas: Terra, Vénus e Mercúrio, permite que a sonda adeque a inclinação, raio e forma da órbita à de Mercúrio, ao mesmo tempo que impede que esta se despenhe contra o Sol ou entre numa órbita caótica.

A sonda após ter sido lançada na Terra sobrevoou o sistema Terra-Lua e Vénus, este último duas vezes. Depois deste primeiro flyby, a sonda entrará em orbita hermesiana (de Mercúrio) a partir de 29 de Setembro de 2009 a manter-se até, pelo menos, 18 de Março de 2011. Mas, antes, irá passar pelo planeta para obter mais um impulso gravitacional. Esse encontro será em Outubro e permitirá aos cientistas observar a restante parte do hemisfério que ainda não fora cartografado. A entrada definitiva da sonda em órbita encontrará o mesmo hemisfério iluminado pela luz do Sol. A sua órbita será elíptica de modo a que a sonda possa estudar os pólos de Mercúrio (os quais pensa-se conter reservatórios de gelo de água).


Bacia de Caloris no planeta Mercúrio. Os cientistas consideravam a possível dimensão da Bacia uma vez que ainda não se encontrava totalmente cartografada. As planícies em Mercúrio diferem dos 'mares' lunares porque possuem muitas crateras entre si, não podendo formar amplas áreas como na Lua. Outra característica do planeta é a presença de cordilheiras formadas pela constrição do mesmo, por consequência do arrefecimento planetário. (Fonte: NASA)

A sonda MESSENGER é a primeira sonda a visitar o planeta desde que a sonda Mariner 10 (também da NASA) o orbitou 3 vezes, entre 1974 e 1975. A sonda cartografou menos de metade da superfície do planeta (cerca de 45%) e deixou muitos mistérios por resolver aos quais os cientistas esperam obter resposta agora. A Agência Espacial Europeia e a JAXA (Agência Espacial Japonesa, Japanese Aerospace Exploration Agency) esperam lançar a sonda BepiColombo em 2012 ou 2013. O consórcio europeu e nipónico espera atingir o seu objectivo em 2019. Mais uma vitória para os americanos e a sua agência espacial.